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Hospital Cirurgia está parcialmente fechado

17 novembro 2017 Notícias


O Hospital Cirurgia, localizado na região central da capital aracajuana, já não está mais recebendo pacientes para novos internamentos ou atendimentos ambulatoriais. O hospital filantrópico está parcialmente de portas fechadas, e mais de 180 pessoas aguardam no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), nas Unidades Básicas em Aracaju, nos interiores do estado, e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para serem transferidos. Mais de 50 pacientes permanecem na fila de espera para cirurgias. Na última terça-feira, 14, médicos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital pediram demissão em massa. Além disso, os anestesiologistas estão com as atividades suspensas desde o dia 01, e os demais profissionais do hospital ameaçam paralisar. O cenário é de caos para a saúde pública em Sergipe.

A direção do HC aponta a falta de pagamento e repasses de verbas federais e estaduais, que é de obrigação da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), como a principal causa dos problemas. A população sergipana é a principal prejudicada. Dona Tertúlia Oliveira conta que a mãe quebrou o fêmur e aguarda por cirurgia há um mês e 15 dias.

“Minha mãe vive morrendo de dor. Já se passou esse tempo e nada foi feito por ela. Só aguardando por uma cirurgia que não acontece. É cansativo não só para ela, mas, também para mim, que fico aqui todos os dias com ela”, desabafou a capelense.

Da mesma forma está a mãe de Edmare Tavares, com o fêmur quebrado aguardando cirurgia. “Já tem um mês e 10 dias que minha mãe está internada e até agora nada de resposta. Só sofrimento, ela sentindo muitas dores. Tem uma senhora de 90 anos que não enxerga, não ouve, tem mal de Alzheimer, está com o ombro quebrado e está tomando até bolsa de sangue. Estamos vendo ela desfalecendo, e eles não tomam providências”, relatou Edmare.

O diretor administrativo e financeiro do Hospital Cirurgia, Milton Eduardo, disse ao JORNAL DA CIDADE que se houver alguma morte de paciente a responsabilidade será da PMA. “Nós demos entrada num Boletim de Ocorrência contra a Prefeitura justamente como medida protetiva para os profissionais caso haja um caos maior. O paciente é do poder público, então é ele quem tem que dar uma resolutividade no problema. Depois de uma reunião com Conselheiros e equipes médicas prestar um B.O assistencial, para que a gente possa proteger os gestores do hospital, porque nós já estamos chamando a atenção para o caos há algum tempo”, reforça Eduardo.

Na manhã de ontem, 16, o HC levou ao Ministério Público Estadual (MPE) uma lista de pacientes que estão internados aguardando cirurgia. Enquanto isso, os serviços do hospital permanecem parados. “Não vamos mais aceitar a alegação de que foi queda na receita ou crise financeira. Ninguém aceitou o pagamento das parcelas em atraso para fevereiro do ano que vem, e ainda mais parcelado. Por isso fomos ao MPE. Se acontecer algo com os pacientes nós vamos responsabilizar a PMA, com certeza”, ressalta o diretor. A dívida municipal com o Hospital Cirurgia atinge R$ 2,6 milhões de reais, segundo Eduardo. Além disso, ainda não foi feito o repasse federal esse mês. “E a Prefeitura já recebeu, porém, não nos pagou”, acrescenta o diretor.

O presidente da Associação dos Funcionários e Amigos do Hospital Cirurgia, José Cícero, ressalta sobre a ameaça de paralisação dos demais profissionais da unidade. “Até agora os funcionários do nível médio não receberam referente ao mês de outubro. Todos estão preocupados com o décimo, porque se não estão cobrindo a folha, estamos pensando o que é que eles vão fazer do nosso décimo. Tem médicos que estão há cinco meses sem receber. O centro cirúrgico está parado, e quando o centro cirúrgico para a gente sabe que para receber nos próximos meses é difícil, porque param de produzir. Os médicos cardiologistas já estão parados, assim como os neurocirurgiões. Os ortopedistas ameaçam parar. Então, assim, se o poder público não olhar para o Hospital Cirurgia, a gente sabe que ele vai fechar. Um hospital que atende ao pessoal mais carente do estado. Eu espero que os governantes não deixem isso acontecer”, desabafa o Cícero.

Fonte: Jornal da CIdade


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