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Lápides no santo Antônio!

Cemitério ecológico vira polêmica: A prefeitura de Aracaju escolheu o terreno, mas ouviu quem mora ao redor?

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Foto: Reprodução

A necessidade de um novo cemitério público em Aracaju é inquestionável. O problema é a escolha do terreno e a forma como a decisão foi conduzida pela Prefeitura. A desapropriação de uma área de 16.834,50 m², atualmente ocupada por uma TV local, no bairro Santo Antônio, para a construção de um cemitério vertical ecológico, está provocando questionamentos que vão muito além da localização: o projeto foi realmente pensado considerando os impactos ambientais e a vida de quem mora no entorno?

Nascentes e lençol freático no Santo Antônio

O decreto que declara o terreno de utilidade pública já foi assinado e publicado. Mas, enquanto a decisão administrativa avança, moradores da região começam a levantar dúvidas importantes. A área está próxima de pontos com histórico de nascentes e circulação de águas subterrâneas. Como ficará o lençol freático diante de uma estrutura destinada a milhares de sepultamentos? Quais estudos hidrogeológicos foram realizados? Existe um levantamento que comprove que o solo e as condições naturais do terreno são adequadas para receber esse empreendimento?

A preocupação não é exagerada. O necrochorume, líquido produzido durante a decomposição dos corpos, pode contaminar o solo e as águas subterrâneas quando não há sistemas adequados de impermeabilização, drenagem e tratamento. E Aracaju já conhece esse problema: há alertas anteriores sobre riscos ambientais relacionados aos cemitérios da capital. Portanto, a palavra ecológico, por si só, não é garantia de segurança.

A escolha do terreno e a participação dos moradores

Outro questionamento envolve a própria escolha do Santo Antônio. O bairro tem importância histórica e turística, recebe visitantes atraídos pelo Mirante e pela Colina de Santo Antônio e já enfrenta dificuldades de circulação em determinados horários. Como será o trânsito com a passagem de cortejos fúnebres, veículos de serviço e visitantes? A infraestrutura local comporta mais esse fluxo? E por que uma região com essas características foi considerada a melhor opção?

Vereadores também levantaram dúvidas sobre os impactos ambientais, a mobilidade e a desapropriação. Moradores questionam se outras áreas foram avaliadas e por que a comunidade não foi ouvida antes de a Prefeitura anunciar a decisão. A realização de uma audiência pública, agora marcada para discutir o projeto, é importante, mas levanta outra questão: por que o diálogo com quem vive no entorno não aconteceu antes da escolha e da publicação do decreto?

O projeto do cemitério ecológico e seus custos

A Prefeitura apresenta a proposta como uma solução moderna, com capacidade inicial para 5 mil sepultamentos, salas de velório e estrutura vertical que promete melhor aproveitamento do espaço e segurança ambiental. A prefeita também afirmou estar aberta ao diálogo com os moradores. É uma tentativa de demonstrar preocupação com as reivindicações, mas ainda faltam respostas objetivas sobre os estudos ambientais, o licenciamento, os custos da desapropriação e da obra e os critérios técnicos que determinaram a escolha daquele endereço.

Vale lembrar que os cemitérios já existentes também precisam de atenção, manutenção e conservação. Não se discute a necessidade de ampliar a oferta de vagas, mas a responsabilidade de fazer isso com planejamento e respeito à cidade.

Aracaju precisa de um novo cemitério, mas precisa também de transparência. Não se pode tratar uma decisão dessa dimensão como simples escolha de terreno. Quando há dúvidas sobre nascentes, lençóis freáticos, trânsito e qualidade de vida dos moradores, a resposta não pode ser apenas a promessa de uma obra ecológica. Antes de abrir espaço para 5 mil novas lápides, a Prefeitura precisa provar que não está colocando em risco o ambiente e a população que continuará vivendo ao redor delas. Afinal, de que adianta resolver um problema histórico criando outro?

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